Da sala de aula ao ministério
as lacunas de representação de gênero no Ministério da Educação
DOI:
https://doi.org/10.21874/rsp.v76ic.11019Palavras-chave:
gênero, educação, representação, burocracia representativa, liderançaResumo
Este artigo se ancora na literatura de burocracia representativa e na perspectiva da representação da filósofa Nancy Fraser para questionar a ausência de gestoras mulheres nos cargos mais altos de gestão na área de educação. A partir de um estudo qualitativo baseado na interpretação de dados secundários, analisamos como a parcela de mulheres decai quando comparamos a parcela de diretoras com a de gestoras nas redes municipais, estaduais e federal. A pergunta que buscamos responder é: por que uma categoria tão expressivamente feminina na base não se vê representada nas esferas centrais de tomada de decisão? Por que à medida que vai subindo de nível federativo (município - estados - União), diminui a porcentagem de mulheres na gestão? Foi possível observar que as profissionais das carreiras da área da educação enfrentam os mesmos desafios de gênero (visíveis e invisíveis) presentes em outras áreas, somados a conceitos machistas seculares que permeiam a docência, ainda muito presentes no imaginário coletivo.
Downloads
Referências
ALMEIDA, J. S. de. Mulher e educação: a paixão pelo possível. Editora UNESP, 1998.
ALVES, I. Burocracia representativa como chave para uma gestão pública em prol da igualdade de gênero e raça. Republica.Org. 2022. https://republica.org/emnotas/conteudo/ burocracia-representativa-como-chave-para-uma-gestao-publica-em-prol-da-igualdade-de-genero-e- raca-2/
ALVES, I. C. da S. Burocracia Representativa de Gênero no Governo Federal do Brasil [Universidade Federal da Bahia]. 2023. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/37815
BRUCKMÜLLER, S.; RYAN, M. K.; HASLAM, S. A.; PETERS, K. Ceilings, cliffs and labyrinths: Exploring metaphors for workplace gender discrimination. The SAGE Handbook of Gender and Psychology, 450–464, 2013. https://doi.org/10.4135/9781446269930.n27
CAEd; UNDIME. Perfil dos Dirigentes Municipais de Educação 2016/17. 2018. https://undime.org.br/uploads/documentos/phpEZHwxD_5b76d6e93c408.pdf
CAEd; UNDIME. Perfil dos Dirigentes Municipais de Educação 2021. 2021. https://undime.org.br/noticia/21-09-2021-13-50-undime-aparece-como-principal-referencia-na-busca-de-informacoes-por-parte-dos-gestores-educacionais-dos-municipios-revela-estudo-
COSTA, M. M. da; ALVES, M. A.; GOMES, M. V. P. Cotas de Acesso ao Serviço Público e Burocracia Representativa na Cidade de São Paulo. VII Encontro de Administração Pública e Governança, 1–8. 2016.
COTTER, D. A.; HERMSEN, J. M.; OVADIA, S.; VANNEMAN, R. The glass ceiling effect. Social Forces, 80(2), 655–682, 2001. https://doi.org/10.1353/sof.2001.0091
COUTO, M. J.; PEREIRA, P. A. GÉNERO E LIDERANÇA NA ESCOLA: DA FEMINIZAÇÃO DA PROFISSÃO DOCENTE AO DESEMPENHO DE CARGOS DE TOPO. Gestão e Desenvolvimento, 19, 199–227, 2011. http://hdl.handle.net/10400.14/9179
DINIZ, A.; MOREIRA, J.; CASTRO, L. P. P. de; SANDIM, T. L. Desigualdade de gênero em cargos de liderança no Executivo Federal. 2024.
DOLAN, J. A.; ROSENBLOOM, D. H. Representative bureaucracy: classic readings and continuing controversies. 2003.
EAGLY, A. H.; CARLI, L. L. Women and the labyrinth of leadership. Harvard Business Review, 85(9), 2007. https://doi.org/10.4324/9780429494000-17
FRANÇA, M.; NASCIMENTO, F. Síntese de evidências sobre a presença de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança e autoridade. 2003.
FRASER, N. Distorted beyond All Recognition: A Rejoinder to Axel Honneth. In Redistribution or Recognition? A political-philosophical exchange (p. 198–222), 2006.
FRASER, N. Escalas de justicia, 2008a.
FRASER, N. La justicia social en la era de la politica de identidad:redistribución, reconociemiento y participación. Revista de Trabajo, 6(4), 83–99, (2008b). http://hdlundp.org/reports/
FRASER, N.; HONNETH, A. ¿Redistribución o reconocimiento? [Redistribution or Recognition: a Political-Philosophical Exchange]. 2006.
FREITAS, O. C. R. de. A feminização da Educação e a ocupação dos espaços de poder pela mulher: tetos de vidro e as contradições na gestão escolar. Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress, 2, 1–13, 2017.
GATTI, B. A.; BARRETO, E. S. de S. Professores do Brasil: impasses e desafios. UNESCO, 2009.
GOIS, Antonio. Líderes na escola: o que fazem bons diretores e diretoras, e como os melhores sistemas educacionais do mundo os selecionam, formam e apoiam (Moderna (ed.)). 2020.
GOIS, Antônio. Quatro décadas de gestão educacional no Brasil. 2018.
GOMES, M. V. P.; ALVES, M. A. Como se cria um ministério? O processo de cooptação como mecanismo de distensão na relação entre movimentos sociais e estado. Revista de Administração Pública, 51(3), 388–406, 2017. https://doi.org/10.1590/0034-7612154913
HONNETH, A. Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais (1a ed.). Editora 34. www.editora34.com.br, 2003.
IBGE, I. B. de G. e E. Estatísticas de Gênero: Indicadores sociais das mulheres no Brasil - 3a edição (Issue 3a Edição), 2024.
INEP/MEC. Censo Escolar da Educação Básica 2022: Resumo Técnico, 2023. http://journal.um-surabaya.ac.id/index.php/JKM/article/view/2203
INEP/MEC. Censo da Educação Superior 2021. 2022.
INSTITUTO ALZIRAS. Censo das Secretárias Brasileiras - Mapeamento com Primeiro
Escalão dos Governos Subnacionais - 2024.
KANTER, R. M. Men and Women of the Corporation. 1977.
KINGSLEY, J. D. Representative Bureaucracy: An Interpretation of the British Civil Service. Yellow Springs, 1944. https://doi.org/10.2307/1845094
KRISLOV, S. Representative Bureaucracy (Vol. 89, Issue 4), 1974.
LÁZARO, A. L. de F. Educação: substantivo feminino. Canal Futura. 2022. https://gente.globo.com/texto-educacao-substantivo-feminino/
MEIER, K. J.; WRINKLE, R. D.; POLINARD, J. L. Representative Bureaucracy and Distributional Equity: Addressing the Hard Question. The Journal of Politics, 61(4), 1025–1039, 1999.
MONTEIRO, M. K.; ALTMANN, H. Ascensão na carreira docente e diferenças de gênero. Educar Em Revista, 37, 1–23, 2021. https://doi.org/10.1590/0104-4060.70432
MOSHER, F. C. Democracy and the Public Service (Vol. 63, Issue 1). Oxford University Press, 1968. https://doi.org/10.1017/s0003055400261765
OECD. Education at a glance 2023 – Slovenia, 2023. https://gpseducation.oecd.org/Content/EAGCountryNotes/EAG2023_CN_SVN_pdf.pdf
OFFICE, I. L.; ACTIVITIES, B. for E. Women in Business and Management: Gaining momentum in Latin America and the Caribbean: Vol. may (Issue 1), 2017. https://doi.org/9789221308485
SANTOS, G. O género e a carreira académica: Uma análise das barreiras organizacionais. Comportamento Organizacional e Gestão, 10(2), 241–260, 2004.
SOUZA, C. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologias, 8(16), 20–45, 2006. https://doi.org/10.1590/s1517-45222006000200003
SOWA, J. E.; SELDEN, S. C. Administrative Discretion and Active Representation: An Expansion of the Theory of Representative Bureaucracy. Public Administration Review, 63(6), 700–710, 2003. https://doi.org/10.1111/1540-6210.00333
TAMBARA, E. C. Profissionalização, escola normal e feminilização: magistério sul-rio-grandense de instrução pública no século 19. História da Educação, 2(3), 35–57, 1998.
TAYLOR, C. A política do reconhecimento. In Argumentos Filosóficos (p. 241–272). Edições Loyola, 1995.
THOMAS, R.; FAIRCHILD, Ca.; CARDAZONE, G.; COOPER, M.; SINGH-FIELDING, P.; TOLLA-NOBLE, M.; BURTON, A.; KRIVKOVICH, A.; YEE, L.; FIELD, E.; ROBINSON, N.; KUEGELE, S.; EDWARDS, B.; JEAN, T.; KIM, L.; YORK, J. Women in the Workplace, 2023. https://sgff-media.s3.amazonaws.com/sgff_r1eHetbDYb/Women+in+the+Workplace+2023_+Designed+Report.pdf
WERLE, F. O. C. Práticas de Gestão e Feminização do Magistério. Cadernos de Pesquisa, 35(126), 609–634, 2005.
YANNOULAS, Silvia Cristina. Feminização ou Feminilização? Apontamentos em torno de uma categoria. Temporalis, 11(22), 271–292, 2011. https://doi.org/10.22422/2238-1856.2011v11n22p271-292
YANNOULAS, Sílvia Cristina. Trabalhadoras: análise da feminização das profissões e ocupações. (Vol. 1). Abaré, 2013.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista do Serviço Público

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
- A RSP adota a licença Creative Commons (CC) do tipo Atribuição – Uso Não-Comercial (BY-NC).
- A licença permite que outros remixem, adaptem e criem obra licenciada, sendo proibido o uso com fins comerciais.
- As novas obras devem fazer referência ao autor nos créditos e não podem ser usadas com fins comerciais, porém não precisam ser licenciadas sob os mesmos termos dessa licença.
- Ao publicar o artigo na RSP, o autor cede e transfere para a ENAP os direitos autorais patrimoniais referentes ao artigo.
- O artigo publicado na RSP não poderá ser divulgado em outro meio sem a devida referência à publicação de origem.
- O autor que tiver o artigo publicado na RSP deverá assinar o Termo de Concessão de Direitos Autorais (em momento oportuno a editoria da Revista entrará em contato com o autor para assinatura do Termo).