Teletrabalho, produção e gasto público

o que aprendemos com a covid-19?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21874/rsp.v72i2.5215

Palavras-chave:

teletrabalho, administração pública, gasto público

Resumo

O trabalho investiga o comportamento de variáveis associadas à produção e ao gasto público na Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo, Brasil, entre março e julho de 2020, considerando a ampla adesão ao teletrabalho no período – que chegou a alcançar 93,2% do total de trabalhadores do órgão. O fenômeno foi uma das consequências da pandemia de  covid-19, que, enquanto escolha de política pública local, envolveu o isolamento social e a necessidade de adaptação para não interrupção da prestação de serviços. A pesquisa é quantitativa, com uso de base de dados extraída de registros institucionais dos principais sistemas eletrônicos utilizados pelo órgão, com itens de despesas analisados a partir do método de Holt-Winters e valores a preços constantes. Os resultados evidenciam que os níveis de produção mantiveram comportamento médio após período inicial de adaptação e que o número de servidores alocado no período manteve-se estável, com ligeira tendência de queda. Houve redução de itens de gastos (água, energia elétrica e deslocamentos) em relação aos seus valores históricos. O trabalho contribui com as pesquisas na área, ao apresentar um estudo empírico envolvendo teletrabalho e administração pública, em contexto singular propiciado pela pandemia, colaborando com informações quantitativas sobre gastos públicos e produção, que corroboram com percepções identificadas em pesquisas qualitativas anteriores. Com relação à identificação de evidências que possam apoiar o desenvolvimento de políticas públicas, há indícios de que um planejamento robusto para racionalização da utilização dos ambientes e estruturas físicas pode ocasionar redução de outros itens de gasto público.

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Biografia do Autor

Andressa Buss Rocha, Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo, Vitória - ES, Brasil

Mestre em Administração pela FUCAPE Business School. MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo. Consultora do Tesouro Estadual na Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo.

Daniel Corrêa, Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo, Vitória - ES, Brasil

Mestre em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Especialista em Direito Tributário pela PUC/Minas Gerais. Bacharel em Ciência Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo. Consultor do Tesouro Estadual e Gerente Geral de Finanças na Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo.

Julierme Gomes Tosta, Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo, Vitória - ES, Brasil

MBA em Gestão Financeira, Auditoria e Controladoria pela Fundação Getúlio Vargas. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo. Consultor do Tesouro Estadual na Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo.

Roberto Paula de Freitas Campos, Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo, Vitória - ES, Brasil

Mestre em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia. Consultor do Tesouro Estadual e Subgerente de Controle e Avaliação do Gasto na Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo.

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Publicado

2021-06-30

Como Citar

Buss Rocha, A., Corrêa, D., Gomes Tosta, J., & Freitas Campos, R. P. de. (2021). Teletrabalho, produção e gasto público: o que aprendemos com a covid-19?. Revista Do Serviço Público, 72(2), 299 - 328. https://doi.org/10.21874/rsp.v72i2.5215

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