Voto válido é risco nulo?

O impacto do segundo turno das eleições municipais de 2020 nos casos e óbitos por covid-19 no Brasil

Autores

Palavras-chave:

eleições, covid-19, diferença nas diferenças, Brasil

Resumo

No Brasil, municípios com mais de 200 mil eleitores devem realizar um segundo turno de votações sempre que nenhum candidato à eleição majoritária alcance a maioria dos votos válidos no primeiro turno. Assim, alguns municípios que atendem a esse critério têm uma campanha eleitoral estendida por pelo menos mais duas semanas e uma presença adicional de eleitores e mesários no local de votação. Este artigo explora o experimento natural gerado pelo segundo turno das eleições municipais brasileiras de 2020 para avaliar os impactos do processo eleitoral na propagação da covid-19 no Brasil. Para esse fim, utiliza informações semanais de casos e óbitos registrados por covid-19 para estimar modelos de diferença nas diferenças com efeitos fixos por município e no tempo. Os resultados indicam que, em geral, apesar do agravamento da pandemia no período estudado, os municípios que realizaram uma eleição em segundo turno não apresentaram um incremento nos casos e óbitos por covid-19 após a realização do pleito.

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Biografia do Autor

Cristiano Aguiar de Oliveira, Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGE-UFRGS). Professor Associado na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande (PPGE-FURG).

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Publicado

2021-12-29

Como Citar

Oliveira, C. A. de. (2021). Voto válido é risco nulo? : O impacto do segundo turno das eleições municipais de 2020 nos casos e óbitos por covid-19 no Brasil. Revista Do Serviço Público, 72(4), 693 - 723. Recuperado de https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/5580