Sandboxes regulatórios no Brasil

avanços das agências reguladoras federais e estaduais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21874/t330bk25

Palavras-chave:

sandbox regulatório, serviços públicos, regulação experimental

Resumo

O ambiente regulatório experimental, ou sandbox regulatório, foi formalmente introduzido na legislação brasileira pela Lei Complementar nº 182/2021, que possibilitou aos órgãos e entidades da administração pública com competência de regulamentação setorial flexibilizar a incidência de normas sob sua competência, de forma temporária e mediante condições previamente estabelecidas, para que sejam testadas soluções inovadoras e tecnologias experimentais. Considerando a possibilidade de adoção dessa prática por agências reguladoras para fins de aperfeiçoamento de políticas públicas e solução de problemas públicos a partir da inovação, foi realizado este estudo com o objetivo de identificar os avanços da aplicação da Lei Complementar nº 182/2021 pelas agências reguladoras federais e estaduais no Brasil. Para esse objetivo, foram realizadas consultas aos sítios eletrônicos das agências reguladoras federais e estaduais brasileiras, utilizando ferramenta de busca para informações sobre a adoção de programas de ambiente regulatório experimental. Os resultados da pesquisa indicaram que 64% das agências reguladoras federais adotam sandboxes regulatórios, enquanto, no âmbito estadual, apenas 10% incorporaram a prática. Dessa forma, com base nos resultados apresentados neste estudo, conclui-se que a difusão de ambientes regulatórios experimentais no Brasil ocorre de forma desigual entre as agências federais e estaduais, refletindo não apenas diferenças de capacidade institucional, mas também distintos graus de indução normativa e coordenação intergovernamental.

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Biografia do Autor

  • Josiany Melo Negreiros, Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce), Fortaleza/CE, Brasil

    Mestre em Administração e Controladoria pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual do Ceará. Bacharel em Direito pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Servidora da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce).

  • Cailiny Darley de Menezes Medeiros, Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará (Cagece), Fortaleza/CE, Brasil

    Mestre em Saneamento Ambiental, Universidade Federal do Ceará (UFC). Especialista em Águas de Abastecimento e Residuárias, Centro Federal Tecnológico do Ceará (CEFET). MBA em Gestão Empresarial, Fundação Getúlio Vargas (FGV). Bacharel em Engenharia Civil, Universidade Federal do Ceará (UFC). Certificada em Project Manager Professional (PMP), Project Management Institute (PMI). Servidora na Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

  • Samuel Façanha Câmara, Universidade Estadual do Ceará (UECE), Fortaleza/CE, Brasil

    Doutor em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Pós Doutorado em Gestão da Inovação, (FGV-EBAPE). Bacharel em Agronomia, Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Economia Rural, Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor Associado da Universidade Estadual do Ceará. Pesquisador nas áreas de Gestão da Inovação e Sustentabilidade e Economia do Mar.

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Publicado

2026-06-03

Como Citar

Sandboxes regulatórios no Brasil: avanços das agências reguladoras federais e estaduais. (2026). Revista Do Serviço Público, 77(2), 268-287. https://doi.org/10.21874/t330bk25