A presença negra na diplomacia brasileira
um estudo sobre burocracia e desigualdade racial na carreira diplomática brasileira
DOI:
https://doi.org/10.21874/rsp.v77i1.10690Palavras-chave:
ações afirmativas, cotas raciais, concurso público, desigualdade racial, burocracia representativaResumo
Embora haja muitos estudos sobre as ações afirmativas raciais no Brasil, menos comum são os que abordam a sua aplicação na burocracia pública e, mais especificamente, na carreira diplomática. Com o objetivo de suprir essa lacuna, este artigo aborda, por um lado, a aplicação da lei de cotas no serviço público pelo Ministério das Relações Exteriores, incluindo a análise do programa de bolsa-prêmio voltado para a preparação de pessoas negras para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD); e por outro, o impacto da inserção de pessoas negras na transformação da burocracia diplomática e na luta contra a desigualdade racial aí presente. O propósito foi identificar não somente a efetividade da inserção negra na carreira diplomática, mas também a sua potencialidade para o combate à desigualdade racial, considerando como marcos teóricos centrais as perspectivas das desigualdades e da burocracia representativa. O estudo de caso realizado aborda o ingresso e o desenvolvimento na carreira, mediante longa pesquisa de campo e levantamento de dados. Os resultados apontam para o efetivo aumento de pessoas negras e o surgimento de uma burocracia representativa, no entanto, ainda alertam para uma necessária avaliação de sua potencialidade contra a desigualdade racial ainda persistente.
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