Judicialização do câncer em Minas Gerais

um estudo jurimétrico de ações judiciais contra o SUS e a influência dos pareceres técnicos nas decisões judiciais (2014–2020)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21874/bcf0wx20

Palavras-chave:

judicialização da saúde, jurimetria, NAT, neoplasia maligna, direito à saúde

Resumo

A judicialização da saúde representa um fenômeno crescente no Brasil, com implicações para a equidade e para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo objetivou analisar a judicialização do câncer contra o SUS em Belo Horizonte, descrevendo o perfil socioeconômico dos demandantes, as características jurídico-processuais e sanitárias das ações, além de analisar a associação entre consulta a pareceres técnicos e resultados das decisões judiciais. Realizou-se estudo jurimétrico de 336 ações judiciais ajuizadas por 318 autores diagnosticados com cânceres de mama, próstata, pulmão, cólon e encéfalo. Os resultados evidenciaram predominância de demandas individuais, elevadas taxas de deferimento da gratuidade da justiça e alto índice de sucesso das ações. Medicamentos oncológicos de alto custo constituíram os principais objetos pleiteados, com destaque para temozolomida, abiraterona e trastuzumabe, todos com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e avaliados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC). A consulta ao Núcleo de Apoio Técnico (NAT) associou-se a decisões menos favoráveis aos autores, sugerindo que o suporte técnico qualifica as decisões judiciais. Concluiu-se que a judicialização oncológica revela lacunas na implementação das políticas públicas de saúde e que estratégias coletivas e o fortalecimento das instâncias técnicas do SUS são fundamentais para respostas mais equitativas à judicialização da saúde.

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Biografia do Autor

  • Iara Veloso Oliveira Figueiredo, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), Belo Horizonte/MG, Brasil

    Doutora em Saúde Coletiva, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Instituto René Rachou (IRR/FIOCRUZ Minas). Mestra em Saúde Pública, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ). Especialista em Direito Público, Pontifícia Universidade Católica. (PUC/MG). Especialista em Direito e Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ). Advogada, formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG).

  • Mônica Silva Monteiro de Castro, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), Belo Horizonte/MG, Brasil

    Doutora em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mestra em Epidemiologia, Especialista em Saúde Pública, e Especialista em Clínica Médica, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). MBA Executivo pelo IBMEC - MG. Graduação em Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

  • Gabriela Drummond Marques da Silva, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), Belo Horizonte/MG, Brasil

    Doutora em Saúde Coletiva, Universidade de Brasília (UnB). Mestra e Bacharel em Estatística, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

  • Wanessa Debôrtoli de Miranda, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte/MG, Brasil

    Professora Adjunta no curso de Gestão de Serviços de Saúde, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Doutora em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Instituto René Rachou (IRR/FIOCRUZ Minas). Mestre em Saúde e Nutrição, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Nutricionista, Universidade Federal de Viçosa., Pós-doutorado em saúde coletiva pela FIOCRUZ Minas.

  • Fausto Pereira dos Santos , Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), Belo Horizonte/MG, Brasil

    Médico sanitarista, com Residência Médica em Medicina Preventiva e Social, Doutor em Saúde Coletiva, área de concentração em Planejamento e Administração em Saúde,  Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

  • Rômulo Paes-Sousa , Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), Belo Horizonte/MG, Brasil

    Epidemiologista e Especialista em Avaliação de Políticas Públicas, Médico, Especialista em Medicina Social, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). PhD em epidemiologia, London School of Hygiene and Tropical Medicine (University of London). Servidor público, Instituto René Rachou (FIOCRUZ Minas).

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Publicado

2026-09-17

Como Citar

Judicialização do câncer em Minas Gerais: um estudo jurimétrico de ações judiciais contra o SUS e a influência dos pareceres técnicos nas decisões judiciais (2014–2020). (2026). Revista Do Serviço Público, 77(2), 473-493. https://doi.org/10.21874/bcf0wx20